Procura-se relacionamento divertido

C__Data_Users_DefApps_AppData_INTERNETEXPLORER_Temp_Saved Images_girafas

Procura-se um relacionamento divertido. Um amor leve, porque de sérias já bastam as responsabilidades e de pesados já bastam os problemas. Alguém que abomine a frase “bonzinho só se lasca”, por entender que quando tudo é pedra é preciso saber ser flor. Alguém que não queira construir uma família de bem, mas sim do bem — e que por família entenda união, amor e cuidado, sem achar que isso está relacionado a contratos assinados no cartório, podendo ter duração de semanas ou décadas e incluir ou não filhos, cachorro e papagaio. Não precisa entender de vinhos nem de jazz, mas deve compreender um olhar decepcionado diante de uma atitude ruim. E que, percebendo esse olhar, não sinta necessidade de se justificar ou criar bons argumentos para uma DR, mas tenha aquela habilidade tão rara chamada empatia, que se coloque no lugar do outro, num esforço para manter a bolinha no ar como uma dupla jogando frescobol.

Procura-se alguém que por “jogo” imagine video-game com cerveja num domingo de chuva, e não ligar três dias depois para fingir que não está muito interessado. Alguém que não visualize a mensagem e responda só depois para dizer que estava ocupado demais. Mas que sim, de fato às vezes esqueça uma conversa porque estava mesmo ocupado, seja trabalhando, criando alguma arte ou viajando. E que assim vá, para que possa voltar com histórias, novidades e outros mundos. Para ir, porém, não é preciso ter diploma de faculdade nem ser fluente em inglês, mas se faz necessário ser expert em liberdade – não essa liberdade que necessariamente implica em poligamia ou relacionamentos abertos, e sim aquela que dá asas ao coração. Inclusive não é preciso ser fiel, visto que é livre, mas é imprescindível ser leal.

Tornam-se desnecessários presentes caros como joias ou perfumes, mas é fundamental voltar da praia com aquela tornozeleira de um real que você viu e achou minha cara. E é importante que se perca em meus cabelos vezes o suficiente para decorar o cheiro. É preciso ser manso o bastante para permitir que eu me aproxime e confie em fazer um cafuné, mas sem nunca confundir manso com domesticável, porque animal domesticado é animal submisso, e amor é bicho arisco, que corre solto e voa alto.

Não precisa ser belo, mas tem que ter aquele algo que faz com que eu te ache incrível, tipo a piscadinha na hora de dar tchau ou o jeito que segura meu rosto na hora de cumprimentar. Conta pontos também ter algum detalhe bobo, que só a gente entende, como o jeito que fecha um olho só no Sol ou a maneira como mexe nas mãos quando está nervoso. Não fará diferença se abrir ou não a porta do carro para mim, mas saiba que estarei sempre observando como trata os idosos, as crianças, sua mãe e se foi capaz de parar para ouvir de verdade quando aquele mendigo te chamou. Notarei se eleva a voz ou é grosseiro comigo, só para “mostrar quem manda”.

Poderia ser anúncio de classificado, com email para envio de correio elegante no final. Poderia ser anônimo, com letras recortadas de revista, o que daria um ar de suspense, sempre tão  relevante em matéria de amor, mas não é abertura de vaga nem aceitarei indicações. Ainda porque com hora marcada só é bom para atendimento em dentista. Deixa assim, deixa estar, uma hora a gente se encontra, sem saber que “dessa vez é”. Basta se manter tranquilo o bastante para escutar silêncios, pois é aí que vai acontecer… E o coração vai dizer.

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Amor. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s