Carta à morte

cranioOlá cara amiga, te pressinto nos dias que se prolongam e nos vazios das noites escuras. Fizeste longas viagens e devo confessar que não senti tua falta, mas te aceito e te recebo. Agradeço-te por tardar e permitir a eternidade em minhas memórias, baú repleto de cafés, ovo mexido com tomate, prantas e amor. Amor certamente nunca nos faltou. Não falta. Não faltará. Foram tantos momentos que partilhamos junto a sua querida irmã gêmea, a Vida, que não te temo mais. Peço-te apenas que venha bela, com flores rosadas na cabeça, que se despetalam cheias de serenidade e sabedoria — que não murcham nem morrem, apenas se desprendem da vida em uma brisa leve, flutuando com o vento para novos jardins. Que a chegada seja iluminada e acolhida pelos que aí a esperam. Te conheço desde cedo, cara amiga, e sei que não és fria nem cruel como te pintam. És injustiçada, bem sei, pois és passagem, continuação idêntica de sua irmã, numa espiral que nunca termina. Que a levem, que a tragam, e a levem outra vez, quantas vezes for preciso, girando e girando como uma bailarina bonita e feliz. Por isso te aceito e te recebo. Escolha como sempre a sua hora, pré agendada ou não, e venha. Mas te peço, novamente e infinita vezes: venha bela.

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