O Natal não é para quem quer

charge-natal-excluidosDizem que devemos passar o Ano-Novo com pelo menos uma peça de roupa nova, para trazer sorte. Ouço essa história desde muito pequenininha e apesar de não ser a pessoa mais crente desse mundo sempre achei melhor não contrariar a crença, pensando que “bem, azar não vai dar”. Conforme o tempo foi passando eu fui percebendo, porém, que no grande jogo das festas de fim de ano há muito mais que sorte ou azar ou fraternidade e amor no coração: com 8 anos eu questionei meus pais sobre por que o urso de pelúcia que o Papai Noel me deu tinha etiqueta da marca Mattel, sendo que ele mesmo que confeccionava todos os presentes lá no Pólo Norte com seus duendes. Não me lembro bem da resposta, mas desde esse dia eu deixei de acreditar em Papai Noel e fui duramente apresentada a um ser muito mais vivo e presente em nossas vidas: o capitalismo cruel que triplica suas forças no fim do ano.

Claro que essa história é apenas mais uma sobre a “morte de minhas crenças infantis” e não representa nenhum grande trauma, ainda porque como uma boa criança de 8 anos eu esqueci de pensar no assunto após cinco segundos da minha pergunta, mas desde esse episódio o Natal e o Ano-Novo sempre me fazem refletir. E nesse ano, que foi tão introspectivo para mim, a reflexão é sobre nosso modo de levar a vida o impacto que isso provoca em outras vidas. Por isso, após concluir com pesar que não importa quão boas algumas crianças tenham sido o Papai Noel nunca vai levar presente para elas (será que ele fica com medo de parar debaixo do viaduto ali na Luz, por isso não entrega nada àquelas pobres Charge blogcrianças carentes?) e que, como diz Eduardo Galeano, por mais que determinadas pessoas (os ninguéns) comecem o ano mudando de vassoura a boa sorte não vem, eu decidi que as energia que enviarei ao mundo nesse dezembro serão diferentes.

Meu Natal será passado com apenas um pessoa, que é uma das mais importantes da minha vida, sem aquele falso espírito natalino de reunir a família e falar mal da prima para o avô enquanto ela vai ao banheiro e com gostosuras à mesa, mas em porções muito pequenas, sem nada de fartura porque há para quem falte. Já o Ano-Novo eu passarei com um vestido lindo de algodão que troquei em um bazar de peças usadas que uma amiga organizou. Nesse evento cada pessoa levava roupas que não queria mais e trocava com outras pessoas, por peças pelas quais se interessasse. Nem me lembro que peça minha a moça levou no lugar do vestido, mas para mim esse vestido simples, usado, é a representação de tudo que desejo para nós em 2014: desapego material, mais trocas de todos os tipos, interação com o próximo, menos compras e, principalmente, simplicidade. Boas festas

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2 respostas para O Natal não é para quem quer

  1. Keico disse:

    Muito legal.Esse é o espírito do Natal.Um abraço a essa pessoa bonita que você é.
    Feliz Natal. Um abração.

  2. deboraqsantos disse:

    Obrigada, um ótimo Natal para todos nós. Abração!

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