Viajar é trocar a roupa da alma

mochileiroAgosto. Há um ano decidi me desprender de toda a segurança que o Brasil me oferecia, como moradia, um namoro aparentemente sólido e um ótimo salário para ir me aventurar na desconhecida Argentina, sem nenhum plano específico, trabalho ou sequer casa. Passei mais 2 meses trabalhando para guardar dinheiro e fui. Senti medo, passei mal no avião, não entendia o que as pessoas me diziam e não tive ninguém para me pegar no aeroporto, mas cheguei viva na pensão de um amigo. Viva, exausta e muito feliz. Fui bem recebida e me ofertaram um quarto, mas dormia no chão, apenas com um saco de dormir e um edredom. Tudo bem, era verão e eu acordava com o Sol entrando pela janela e passarinhos cantando.

Com o passar do tempo conheci pessoas maravilhosas, me “re”conheci, descobri a magia do circo, aprendi espanhol, aprendi a tomar vinho, aprendi a tomar mate, aprendi a me virar sozinha, criei coragem de virar vegana, perdi o medo de falar com desconhecidos e fazer novos amigos, inventei um mochilão pelo Uruguai, me apaixonei por essas terras, vi lobo marinho a menos de um metro de distância, tomei café da manhã na praia vendo o Sol nascer, vendi artesanato com amigos hippies, aprendi a escutar minha alma no silêncio das dunas e, principalmente, entendi que trabalhar para viver é já estar morto.

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Só que não, nem tudo são flores: quando voltei para São Paulo parecia que o lugar que sempre foi meu porto seguro já não tinha mais espaço para mim. Não me chamavam para nenhuma entrevista de emprego, não tinha um puto no bolso, “perdi” o namorado para alguém mais fisicamente presente e tinha a sensação de que quase todos meus amigos estavam diferentes demais, mesmo sabendo que na verdade eles eram os mesmos e eu que havia me transformado. Olhando para tudo isso hoje percebo que realmente essa viagem mudou minha vida e reconfigurou todo meu universo, mas como diz Mario Quintana, “no fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar”. E acho que é isso que as viagens fazem: elas sopram sua vida inteira, do começo ao fim, deixando apenas o que é mesmo real e importa. Agora, um ano depois, a única coisa que tenho a dizer é: eu faria tudo outra vez. Se você que está lendo esse texto sonha em viajar mas tem um milhão de dúvidas só posso dizer: “Vai! E se der medo, vai com medo mesmo, porque de fato o mundo é bem mais que seu quintal”.

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2 respostas para Viajar é trocar a roupa da alma

  1. Agora que eu tô logada vou postar em tudo!
    Ler seu texto me faz pensar em primeiro lugar no quanto vc mudou desde essa viagem! No quanto voltou com sede de conhecimento, de mundo. Sede de descobrir tudo, saber um pouquinho mais sobre muita coisa. Dá pra ver a mudança até fisicamente, vc voltou mais serena, apesar do turbilhão que te aguardava. Fico feliz que vc passou por isso tudo!! Te amo!

    • deboraqsantos disse:

      Olha, se até eu que convivo comigo a todo momento me surpreendo com o quanto mudei, imagino você! Fico feliz de ter você por perto, acompanhando cada passo e cada crescimentos. Te amo também!

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