Dia dos Enamorados

casalMal passou o Dia das Mães e as paredes do metrô já estão cheias de cartazes do Dia dos Namorados, com corações por todos os lados, marcas de beijos e casais de comercial de margarina abraçados. Fiquei reparando nisso enquanto ia trabalhar e por uns instantes em que me deixei levar pelo poder do marketing quase desejei que você fosse meu namorado. Dando sequência aos devaneios comecei a pensar no que poderia te dar: perfume? Roupa? Acho que não, já adoro o seu cheiro e não vou conseguir acertar algo que goste, a não ser que te dê mais uma camisa xadrez pra coleção. Livro? Talvez, isso era bem capaz de você gostar. Com um sorriso surgindo no rosto pensei: Quem sabe um coração de pelúcia gigante, bem fofo, que você vai achar super cafona e odiar? Entre uma estação e outra, enquanto imaginava tudo isso, me peguei reparando no quanto as árvores ficam mais bonitas com o Sol da manhã. E foi aí que percebi que não poderei te dar nada no dia 12 de junho. Não poderei porque você não é meu namorado e não quero que seja nunca. Você é simplesmente o que me faz reparar no verde e no Sol — e é isso que quero que seja. Não quero te dar um nome e, junto com ele, o peso que os nomes têm. Não quero encher toda essa coisa bonita de responsabilidades e obrigações, com a falsa ilusão de que o rótulo me garantirá segurança e amor eterno. Não precisa nem ser para sempre, sabe? Fica só hoje, com esse teu jeito que me faz ter vontade de ler poesia que já ta bom. E já que não vai ganhar presente, aceita esse texto, que não tem valor algum para as propagandas do metrô, mas tem cada letra escolhida a dedo só pra você. Se te cobrarem um motivo, fala que ganhou de Dia do com quem você se sente seguro apertando a mão, ou de Dia do que te faz rir sozinho na rua ao lembrar de uma piada muito boba sobre azeitonas que vocês criaram na noite passada. Se acharem estranho inventa que foi de Dia do que faz beijo se confundir com música ou de Dia do que te dá borboletas no estômago. Se ainda  disserem que você é maluco, fala que na verdade achou esse texto no chão. Assim se convencerão, pararão de questionar e nós poderemos seguir assim sem nome, devagar como quem não sabe o destino mas contempla a paisagem, porque como diz Alberto Caeiro naquele livro incrível que você me emprestou, “Cada coisa é o que é/ E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra/ E quanto isso me basta”.

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