8 de março: troco flores por igualdade e respeito

Maria da Penha, que inspirou a lei que leva seu nome, ficou paraplégica após o ex-marido tentar matá-la duas vezes.

Maria da Penha inspirou lei que leva seu nome e ficou paraplégica após o ex-marido tentar matá-la duas vezes.

Uma em cada cinco mulheres considera já ter sofrido algum tipo de violência por parte de um homem e seis em cada dez brasileiros afirmam conhecer alguma mulher que já foi violentada. Com sua taxa de 4,4 homicídios para cada 100 mil mulheres o Brasil ocupa o 7º lugar (de 84 países analisados) em feminicídio. Esses dados, suficientemente alarmantes, foram divulgados ano passado pelo Mapa da Violência 2012, mas podem facilmente estar camuflados por outra estatística da mesma pesquisa: 94% dos entrevistados declarou conhecer a Lei Maria da Penha, que visa coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, mas apenas 13% afirmou saber seu conteúdo.

Apesar de o conceito de agressão nem sempre estar totalmente claro, segundo o Sistema de Informação de Agravo de Notificação (SINAN), violência física é: “atos violentos com uso da força física de forma intencional, não acidental, com o objetivo de ferir, lesar ou destruir a pessoa, deixando, ou não, marcas evidentes no seu corpo. Ela pode se manifestar de várias formas, como tapas, beliscões, chutes, torções, empurrões, arremesso de objetos, estrangulamentos, queimaduras, perfurações, mutilações, etc.“. Então é importante que os homens, e principalmente as mulheres, entendam que não é apenas a vizinha que foi espancada pelo marido com uma barra de ferro que sofreu agressão. Você também foi agredida quando aquele namorado bêbado te empurrou na balada e saiu te arrastando pelo braço, ainda que não tenha deixado nenhuma marca. E isso não pode ser aceito sob nenhuma condição, nem que ele diga que você mereceu, que o tirou do sério ou que foi só um lapso.

Famosos aderem à campanha Homem de Verdade Não Bate em Mulher,lançada pelo Banco Mundial com o objetivo de acabar com estigma de que a Lei Maria da Penha é contra os homens.

Famosos aderem à campanha Homem de Verdade Não Bate em Mulher, lançada pelo Banco Mundial. Iniciativa tem por objetivo acabar com estigma de que a Lei Maria da Penha é contra os homens.

Outro tipo de violência contra a mulher é a violência sexual, entendida pelo SINAN como “toda ação na qual uma pessoa, em situação de poder, obriga uma outra à realização de práticas sexuais, contra a vontade, por meio de força física, influência psicológica, uso de armas ou drogas”. Mais uma vez, assim como na violência física, as agressões ocorrem principalmente na casa das vítimas e  elas conhecem e têm uma relação próxima com o agressor. Em 2011 foram atendidas mais de 13 mil mulheres vítimas de violência sexual, predominantemente com idade entre 1 e 14 anos. Já a violência física representa quase 50% dos atendimentos e acontece principalmente após os 15 anos.

Outro caso de violência que não deixa marca física, mas pode ferir mais do que se tivesse deixado é a violência psicológica, onde o agressor, que nesse caso geralmente é o marido ou namorado, agride a mulher com palavras, destruindo sua autoestima pouco a pouco, fazendo-a acreditar que precisa dele e que é inferior. Parece estranho pensar que alguém insista em continuar o relacionamento assim, mas em geral o jogo de palavras criado pelo homem é tão destrutivo que a mulher não consegue mais se ver capaz de conseguir “algo melhor” e, por medo de ficar sozinha, se submete ao agressor.

O relatório do Mapa da Violência mostra ainda que o percentual de reincidência  na violência contra a mulher é extremamente elevado: quase 50% dos casos, o que configura uma violência “previsível”, mas não erradicada. Segundo os autores do relatório, o principal motivo dessa “tolerância” pode ser a culpabilização da vítima: “ela é minha esposa, tem a obrigação de transar comigo”/ “claro que foi estuprada, estava vestida como uma vadia”/ “ela sabia que eu ia ficar nervoso se ela fizesse aquilo”, e por aí vai.

8Com base em todos esses assustadores números e sabendo que eles ainda representam apenas as mulheres que perceberam seus direitos e fizeram a denúncia, aproveito para lembrar que o 8 de março não foi “criado” para ganhar flores, chocolates e ser levada a restaurantes caros, mas sim para gritar ao mundo que toda pessoa, independentemente do gênero, merece e deve ser tratada com respeito e igualdade. O Dia Internacional da Mulher não pode ser um dia bonito enquanto tantas mulheres são agredidas, humilhadas e subjugadas. Esse dia só pode ser feliz quando vivermos em uma sociedade justa ao ponto de ele não precisar mais existir.

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