Ativistas de Facebook

Ontem em algumas cidades do Brasil houve segundo turno das eleições para prefeito. Em São Paulo, com o grande clássico da final entre PT e PSDB, muitas pessoas começaram a se manifestar não apenas nas ruas, mas também nas redes sociais. Não sei se essas pessoas sempre foram engajadas ou se alguma luzinha despertou nelas durante esse período eleitoral, devido ao desespero inicial de ter o Russomano como prefeito, mas o que importa é que em algum momento elas saíram de cima do muro. Para muitos, porém, essas pessoas são simplesmente “ativistas de Facebook”, que se realmente quisessem mudar algo deveriam tirar a bunda da cadeira e tomar uma atitude.

Apesar de não ser muito “ativista virtual”, acho bacana quem o faz. Concordo que colocar a mão na massa pode ser mais produtivo, mas sou obrigada a admitir que, para desespero dos conservadores, as redes sociais são o principal meio de comunicação da nossa época. Claro que muitos não sabem nem do que estão falando e simplesmente compartilham a opinião alheia, sem ter parado para refletir e formar suas ideias, mas, de uma forma geral, o debate virtual é uma forma de conscientizar a população. Mesmo quando elas são divergentes e alguns quase “se matam” por causa disso, há exposições de ideias e há, principalmente, a oportunidade de se mobilizar. É uma chance de ler sobre um assunto, de saber de algo que ainda não conhecia e, se se interessar, procurar mais sobre o que foi levantado. Não acho que esse seja o único caminho, mas estou segura de que é uma das maneiras de criarmos o hábito de sermos um pouco mais politizados. Por que não sei em que momento isso aconteceu, mas apesar de sermos netos e filhos de gerações extremamente conscientes, achamos que ser descolado é não pensar em nada disso e votar nulo.

Quando era criança, ouvia muito o jargão de que política, religião e futebol não se discute. Quanto aos outros dois, não vou entrar no assunto, mas política precisa — e muito — ser discutida. É ela que move o país, os estados, as cidades, não podemos simplesmente nos ausentar como se não nos dissesse respeito. Ainda porque, para quem não gosta desse tipo de conversa nas redes sociais, é possível cancelar a atualização dessas pessoas e selecionar o que deseja ver. Talvez seja pouco, mas ainda acredito que compartilhar informações sobre política é um caminho muito mais provável de fazer mudanças do que simplesmente reclamar do último capítulo da novela ou desejar a todos boa noite, porque está indo dormir. Enquanto acharmos que estamos aqui por mero acaso e não nos sentirmos de fato parte dos problemas e das mudanças, terminaremos sempre dizendo que não adianta, que no Brasil é tudo assim mesmo.

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