Sexo é diferente de sexo de mulher?

Ilustração de Gil Elvgren

Desde que nascemos, ou até mesmo antes disso, nosso sexo já é definido e, junto com ele, são esperadas determinadas atitudes compatíveis com nosso gênero. Quem nunca ouviu um pai orgulhoso dizer: “Teremos um menino. Será pegador que nem o pai, você vai ver”. Filha pegadora ninguém quer ter, né? Se estiver dando banho no menino e ele tiver uma ereção, (sim, descobri esses tempos que garotos podem ter a primeira ereção ainda no útero) então, é comemoração garantida: “Meu garoto”. Já em relação às meninas ninguém comenta muito. O máximo que ela ouve é: tira a mão da periquita, menina, que coisa feia. Claro que homens e mulheres são diferentes e, portanto, a criação não deve ser igual. Cada um tem sua identidade, seus desejos e seus medos, mas será que as diferenças aparentemente tão gritantes  são inatas?

Em um domingo, durante um pic-nic no parque com uns amigos, surgiu o assunto dos filmes pornôs feitos pela cineasta Erika Lust. Cansada dos chamados enredos (ou falta deles) criados para homens, como ela declarou em uma entrevista à revista TPM, Erika inovou com vídeos voltados ao público feminino. Segundo a cineasta, os filmes “dela”, entre outras coisas, são mais românticos, têm mais enredo e não apresentam cenas de sexo anal e “gozo no rosto”. Essas duas últimas cenas, explica Erika, talvez excitem outras mulheres, mas não a excitam, então foram cortadas. A novidade tem feito sucesso, o que me leva a pensar que foi bem aceita pelo público-alvo, as mulheres. Mas ainda fico em dúvida se elas realmente curtem um tipo de sexo diferente do preferido pelos homens. Elas não gostam por que não gostam e pronto ou por que foram ensinadas a separar as atitudes em “coisa de vagabunda” e “coisa de mulher para casar”.

Por mais que pareça que o mundo é moderno e há igualdade de gêneros, ainda há muito tabu. Se colocarmos 50 mulheres em uma sala e perguntarmos quem já teve curiosidade ou já experimentou sexo anal, quantas teriam coragem de levantar a mão? Quando eu estava no ensino médio, toda menina dizia nunca ter se masturbado e declarava achar isso “coisa nojenta de menino”. Hoje não me parece  que as afirmações eram muito reais. Eu tenho agumas amigas que adquiriram um vibrador, mostrando para todas nós escondidas, no banheiro, o que causou uma grande curiosidade e alvoroço, quase como uma confissão libertina.

Muitos garotos, ao entrar na adolescência, são contemplados pelo pai ou pelo tio com uma coleção da Playboy, mas não sei de nenhuma jovem que ganhou a assinatura da G Magazine (nem sei se existe alguma outra, mais interessante). Já ouvi, aliás, que mulher não gosta de revista de homem pelado, que quem gosta disso são os gays. Será? Por que uma mulher heterossexual não sentiria atração ao ver o corpo do sexo oposto? É realmente “normal” que tantos homens fantasiem em transar com duas mulheres ao mesmo tempo, mas poucas mulheres simpatizem com a ideia — e simpatizem menos ainda com a ideia de transar com dois homens?

Realmente são questionamentos que me faço e, pela falta de sinceridade e excesso de vergonha de muitas mulheres, fico sem resposta. O que atormenta ainda mais minha cabeça de ovelha, porém, é a seguinte pergunta: as minhas próprias respostas, aquelas mais internas, são realmente verdadeiras ou moldadas pelo que toda mulher de respeito deveria ser?

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7 respostas para Sexo é diferente de sexo de mulher?

  1. Babi Barioni disse:

    eu sempre quis saber se o orgasmo feminino é igual ao masculino… mas nunca vou ser homem pra saber =/

  2. Sato disse:

    Gostei muito do texto Dé e me coloco na mesma situação que você.

  3. Adriana disse:

    Vivo pensando nessas coisas, e acho que a maior parte desses “comportamentos de mulher” são resultado da criação e das interações sociais. Mas, acredito que isso possa mudar. Atitudes como a da moça dos pornos são boas, na minha opinião, e eu ainda não vi nenhum filme dela, mas acho mesmo nojento gozo na cara e sexo anal, e acho mesmo que isso seja bastante meu. Claro que percebo alguns traços da minha criação catolica e do controle social, etc.
    Me questionei muito cedo sobre todas essas coisas, mas tive a sorte de ler desde muito cedo também. Toda menina se toca, e a gente só precisa criar coragem e admitir isso. Eu percebi que era comum porque comecei a ler as Claudias e Novas que apareciam em casa (lia escondido), e via comentários sobre isso. Depois li 11 minutos, que, falem mal de Paulo Coelho a vontade, mas é muito bom, e que também me ajudou a perceber.
    Mesmo depois de mais de 10 anos de certa liberdade mental em relação a essas questões sexuais, só hoje eu estou conseguindo me libertar de algumas coisas e assumir, por exemplo, que sim, tenho vontade de experimentar sexo a três. Sim, tenho sonhos eróticos. Sim, penso em sexo boa parte do tempo. Sim, tenho fantasias com homens pelas ruas. E esse tipo de coisa que a gente cresce achando que é coisa de homem.
    Acho que preciso me libertar mais, e acho que as mulheres precisam mesmo se libertar, como uma questão de sobrevivencia mesmo sabe? Acabar com essa coisa de ficar escondida, ter medo do que vão achar, ter medo de perder o namorado… Dei um conselho desses a uma amiga um dia desses. Ela estava com medo de falar das fantasias que tinha e que queria realizar com o namorado e ele ficar assustado, não considera-la mais uma moça “de respeito”. Eu disse à ela que ela devia falar, e que se ele se assustasse ela deveria achar um homem de verdade, que estivesse pronto para namorar com uma mulher de verdade, cheia de desejos, fantasias e vontades. E acho que é assim. Enquanto não formos mulheres “de verdade” não vamos ter espaço e respeito, mas com o tempo, quanto mais mulheres forem se libertando, mais vamos tendo espaço e mais fácil ficará para as mulheres que vierem depois. Enfim, acho que escrevi demais, como sempre 😛

    • deboraqsantos disse:

      Adriana, adorei você ter escrito “demais”. Quando fiz esse texto desejei muito que algumas pessoas, principalmente mulheres, comentassem com opiniões pessoais. Um detalhe do seu comentário que me chamou a atenção foi as Cláudias e Novas da vida. Acho que toda menina pegou alguma dessas revistas na adolescência para tentar entender melhor sua sexualidade, mas fazia isso escondido, quase como se fosse errado ter esse tipo de curiosidade. Adorei o conselho que deu para sua amiga, mas se assumirmos para nós as vontades já é tão difícil, imagina para os outros. Como diz uma amiga minha, “sexo e cocô todo mundo faz, mas todas as pessoas fingem que não”. Muito obrigada pelo seu complemento, foi muito sincero e interessante.

  4. Andre Kenji disse:

    Mas pornô para mulheres não é novidade. A Vivid fez um nicho neste mercado há anos. E parte do problema é que o pornô é uma visão de sexo, não sexo em si. Eu ao menos costumo comparar qualquer transa mecânica e sem graça demais a filme pornô, e no fundo é exatamente isso. Eu diria que o sucesso de filmes amadores e dos que querem parecer amadores(Gonzo) é sinal de que muitos homens também não tem saco para o pornô tradicional.

    E creio que sim, há diferenças na sexualidade entre os dois gêneros. Ela é mais visual para os homens, digamos assim. Inclusive porque é muito diferente receber e fazer sexo oral. Com relação a anal os homens gostam de sexo anal porque é um, digamos assim, buraco, mais apertado. Obviamente muitas mulheres não gostam de anal pelo mesmo motivo.

    Por fim, creio que o grande ponto aqui é que os homens talvez sejam mais próximos das mulheres no tocante a sexualidade. Acho que muitos homens querem uma parceiras que tenham inteligência, vida mais ou menos acertada e algum grau de atitude, não apenas alguém que precise de decotes para chamar a atenção.

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