São Paulo está chata demais

Imagem: Daniele Queiroz

Está cada vez mais difícil viver em São Paulo. E digo isso sem nem entrar em tópicos como o o ônibus e o metrô custarem abusivos três reais, passarmos quase dois meses sem chuva em pleno inverno ou favelas praticamente fazerem uma misteriosa autocombustão. O meu ponto é que não está  fácil levar uma vida mansa em SP. Daquelas onde “ninguém mais bebe bebida que não tenha um bocadinho de matéria alcoolizante, a Coca-Cola é relegada ao olvido e cachaça e cerveja muito, que é bom pra alegrar a vida”, como sonhou Vinicius de Moraes. Que me perdoem os paulistanos roxos, mas SP, além de moralista, ta ficando chata demais.

Claro que a gente acorda cedo, claro que trabalha e claro que paga um monte de conta todo dia 20, mas que mal há em beber um bom vinho ou rachar uma porção de batata regada à cerveja numa sexta-feira de calor? Depende. Se você quiser fazer isso na calçada do bar, verifique antes se o local tem alvará. Caso não, você corre o risco de ter sua mesa arrancada às pressas, porque a polícia está vindo, como aconteceu comigo semana passada, na Augusta. Desafiando as teorias de Einstein, eu pisquei e minha mesa tinha sumido, mais rápido que a luz. O garçom se explica, aflito: “os homi tão vindo, não pode ter mesa na calçada, ta difícil”. E o pessoal fica ali, em pé mesmo, esperando por tempos melhores. Mesmo se o bar tiver alvará, juntar mesa e fazer um grande happy hour só lá dentro. Lá na parte fechada, aonde não se pode mais fumar. Aliás, você pode dar mais um passinho pro lado, por favor? Só pode fumar depois da linha amarela. Aqui? Não, mais pra lá. Agora ta bom? Isso, aí quase caindo na rua acho que está ok. Esses dias, na mesma ex-malandra Augusta, um garçom foi à nossa mesa dizer que não pode fumar sentado, mesmo na parte aberta. “Fumar pode, mas só em pé”.

De qualquer forma, é melhor decidir logo em qual bar quer ficar, porque o tempo está passando e eles fecham cedo. Lei do PSIU, bar fecha por volta da uma da manhã. No site da prefeitura de São Paulo a determinação diz que “para funcionarem após à 1 hora da manhã, os bares e restaurantes devem ter isolamento acústico, estacionamento e segurança“. Tranquilo, que boteco não tem isolamento acústico, estacionamento próprio e um cara 2×2 de braços cruzados na entrada? Num bom e clássico boteco, se o segurança parar na porta ele tampa a passagem.

Deixando o sofrimento boêmio de lado, a gente pensa em talvez ver um filme, uma exposição ou ler um livro. E falando em livro eu lembro que esse mês uma ONG distribuiria gratuitamente, no Viaduto do Chá, 8 mil obras de literatura brasileira, livros infantis e gibis, mas a ação foi impedida  pela Guarda Civil Municipal, com o argumento de que a instituição não tinha permissão da prefeitura para realizar o evento. Considerando que cada pessoa pegasse duas obras, temos 4 mil que leram menos. Quatro mil menos reflexivos e, consequentemente, 4 mil menos questionamentos ao famoso “sistema”. Sobre exposições, filmes e peças ninguém pode dizer que não tem. O problema é que para conseguir ingresso é preciso chegar com uma antecedência que o trânsito não permite ou suportar filas que desanimam. Ano passado, quando fui visitar “A Fila Mágica de Escher”, digo, “O Mundo Mágico de Escher”, no CCBB, eu não só peguei fila para entrar como fiz o percurso inteiro em fila. Parecia excursão da escola e a segurança do local te cutucava quando a fila andava. “Peraí, moça, to vendo essa obra”. “Eu sei, mas você precisa parar de ver e acompanhar a fila, os da frente já andaram e você está atrapalhando os de trás”.

Até namorar em São Paulo já não é tão fácil. Apesar de em teoria haver cada vez menos preconceitos e o mundo estar cada vez mais perdido, como diria minha vó, eu já levei bronca do segurança do parque Trianon, porque estava aproveitando uma tarde de calor deitada no colo do meu namorado, que estava sentado no banco. Simplesmente assim, vivendo uma vida feliz, sem amassos ou pegações. Deitar no banco pode, mas no colo não. Também não pode ficar sentado agarradinho no banco. Se eu quisesse continuar lá era preciso manter uma certa distância. Claro que eu não quis e fui embora.

O problema é que vamos aceitando… e vamos indo embora. E mais do que ir guardando os violões, esquecendo as cervejas, dobrando as mesas, fechando as portas e apagando os cigarros, vamos guardando a juventude, esquecendo a alegria, dobrando a irreverência, fechando os corações e apagando um pouco a vida.

Curtiu? Então curta também a página do blog no Facebook: PensamentosDeOvelha

Anúncios
Esse post foi publicado em Comportamento. Bookmark o link permanente.

148 respostas para São Paulo está chata demais

  1. NA ral, você não pode deitar no Trianon não!
    Se deitar no banco o segurança vai vir te encher o saco tbm, isso se você conseguir deitar, pq boa parte dos bancos da cidade ja estão com aquela divisóriazinha de ferro SUPER confortavel.

  2. Filipe Abreu disse:

    É mas na hora de pagar pau para uma cidade com Londres ou Barcelona, pessoal baba… Mas para criticar São Paulo fica pegando nisso… Pessoal quer uma cidade civilizada mas não quer ser civilizado… Incoerência total…

    • deboraqsantos disse:

      Depende do conceito de cada um de civilização, né? Acho que esse conceito é bem amplo.

    • Ricardo disse:

      O que seria pagar pau pra Londres ou Barcelona?Acho que temos o direito de elogiar as cidades como turistas qdo estamos nelas ou ouvimos falar sobre elas , afinal são cidades bem bonitas, certo?Nós que moramos aqui em São Paulo, não vivemos nela como turistas e passamos a conhecer os seus problemas.Como cidadãos temos todo dever de critica-la, e diga-se de passagem aqui não existem somente problemas estruturais, mas tb esta cheio de gente problema!Agora deixa de ser emburradinho e tenta refletir um pouco mais sobre isso.

  3. Maya Costa disse:

    São Paulo da porta pra dentro dos “descolados” apartamentos é uma delícia. Mas ultimamente estamos regredindo no tempo, com tanto falso moralismo, sem contar o comportamento bossal que vivenciamos no dia a dia. Excelente texto! São Paulo, que “nunca dorme”(mas se é pra ficar acordado que seja em silêncio, muito bem retratada!

  4. São Paulo não é mais uma cidade para se curtir. Aqui você só pode andar de carro e sair do veículo dentro de algum lugar. Casa-carro-balada-carro-casa se quiser passear a pé, de bike, deitar no parque, contemplar a arquitetura, olhar a paisagem, namorar, se fudeu vai ter que ir pra outra cidade mané.
    SP tá pior que Gotham City e tá cheio de Bátemas totalitarios por aqui!

  5. ... disse:

    filipe nao deve conhecer londres e barcelona…barcelona, alias, cidade super calorosa e praiana onde inclusive o top less é permitido (na praia, claro), onde casais se pegam forte onde quiserem e não vão ser incomodados.

  6. niel disse:

    Muito bom!! Nunca vou esquecer o “Fumar pode, mas só em pé”. Morri de rir!

  7. Vitão disse:

    A classe média sofre…

  8. POIS É meus amigos :depois de conviver com metrô lotado,trabalhar de seg a sexta enfrentando os dias de inferno por um misero salário de ascensorista para sobreviver nessa cidade louca .só mi resta no final de semana ir para Baruerí para a igreja Dínamus e correr para os braços de DEUS .Orar PELAS VIDAS Perdidas, e pedir a DEUS que NOS ABENÇOE E tenha MISERICÓRDIA de Nossas VIDAS em nome de JESUS AMÈM.BJOSSSSSSSSSSSSSSS PORTUGAL!!!!!!!!!!!

  9. Zaeed disse:

    Claro, porque fumar na cara de quem não fuma é super certo…

    • Bia disse:

      Mas a questão não é essa, o problema não é ser proibido fumar em locais fechados, só acho que devia haver um meio termo. Por exemplo, nos bares que tem mesas na calçada, deveria ser permitido, não dentro do bar, entende? Deveria ser permitido ter áreas pra fumantes, sem que o fumante precise ficar em pé em um cubículo amontoado de gente, ou naqueles centímetros de calçada depois da faixa amarela. E sinceramente, se tem outras mesas dentro do bar, não vejo motivo pra proibir os outros de fumarem nas mesas da calçada… Aí vai da preferência de cada um ficar na parte de dentro ou na de fora.

      • Licia disse:

        A proibição das calçadas visa proteger a saúde dos garçons. Ter doenças por causa do fumo passivo adquirido no trabalho, ninguém merece.

      • Cleber disse:

        Acho incrível como o fumante sempre é considerado (por ele memo) coitado, mas a área de incômodo que ele ocupa, ninguém considera.
        Não vejo meio termo em dar como “opção” ao não fumante as mesas internas. Ar fresco agora é uma questão de opção?
        A liberdade para os fumantes foi tanta, que na primeira lei de controle de espaço…já começa a choradeira.

      • deboraqsantos disse:

        Cleber, acho que as mesas não precisam ser internas, mas sempre há como dar opções às pessoas (tanto as fumantes quanto as não fumantes). Apesar de eu não ser fumante, acho que devemos respeitar as escolhas de cada um.

    • Paula disse:

      Concordo. É esse conceito idiota de que fumar é legal e descolado e que as pessoas tem todo o direito de fumarem quando e aonde bem entenderem. Se me perguntarem: “não, não podem! É um vício que mata aos poucos todos ao seu redor, vício egoísta e nojento, totalmente desnecessário.” Tirando esse ode ao cigarro e achar que os bares podem fazer barulho até altas horas (porque se parte do princípio de que é “chata” a obrigatoriedade de isolamento acústico, então concorda que o barulho deveria ser permitido), acho o texto interessante. Sobre esses dois assuntos que discordo, eu digo que São Paulo já é caótica por definição, esses ajustes fazem a nossa vida totalmente sobrecarregada de tudo (poluição sonora, visual, poluição de carros – e pessoas fumantes 😉 – excesso de gente) ligeiramente menos difícil. Não chata. Não por isso. Mas por todos os outros motivos que o texto demonstra.

  10. Bia disse:

    Obrigada, Filipe, tirou as palavras da minha boca!

  11. Na verdade a globalização da chatice chegou aos trópicos:culpa da visão de pecado e purgação dos americanos e europeus politicamente corretos.As vezes desconfio até que há interesse ocultos na demonizacao do álcool para substitui-lo pelos Prozac e cia..Nao se esqueçam que o único Pais que criminalizou o consumo de bebidas alcoólicas foi a democracia americana.Democracia?

  12. deboraqsantos disse:

    O texto, sinceramente para minha surpresa, está sendo muito compartilhado e comentado, o que é legal. Alguns comentários, porém, estão muito preconceituosos e xenofóbicos, então não estou aceitando. Comentários contrários a minha opinião e até comentários grosseiros foram e continuarão sendo aceitos, mas os que só incentivam discriminação e preconceito não. Obrigada.

  13. debora disse:

    Medíocres e perigosos (relembrando esse texto do Matheus Pichonelli, na Carta Capital)

    O reacionário é, antes de tudo, um fraco. Um fraco que conserva ideias como quem coleciona tampinhas de refrigerante ou maços de cigarro – tudo o que consegue juntar mas só têm utilidade para ele. Nasce e cresce em extremos: ou da falta de atenção ou do excesso de cuidados. E vive com a certeza de que o mundo fora da bolha onde lacrou seu refúgio é um mundo de perigos, pronto para tirar dele o que acumulou em suposta dignidade.

    Como tem medo de tudo, vive amargurado, lamentando que jamais estenderam um tapete à sua passagem. Conserva uma vida medíocre, ele e suas concepções e nojos do mundo que o cerca. Como tem medo, não anda na rua com receio de alguém levar muito do pouco que tem (nem sempre o reacionário é um quatrocentão). Por isso, só frequenta lugares em que se sente seguro, onde ninguém vai ameaçar, desobedecer ou contradizer suas verdades. Nem dizer que precisa relaxar, levar as coisas menos a sério ou ver graça na leveza das coisas. O reacionário leva a sério a ideia de que é um vencedor.

    A maioria passou a vida toda tendo tudo aos alcance – da empregada que esquentava o leite no copo favorito aos pais que viam uma obra de arte em cada rabisco em folha de sulfite que ele fazia – e cultivou uma dificuldade doentia em se ver num mundo de aptidões diversas. Outros cresceram em meios menos abastados – e bastou angariar postos na escala social para cuspir nos hábitos de colegas de velhos andares. Quem não chegou aonde chegou – sozinho, frise-se – não merece respeito.

    Rico, ex-pobre ou falidos, não importa: o reacionário clássico enxerga em tudo o que é diferente um potencial de destruição. Por isso se tranca e pede para não ser perturbado no próprio mundo. Porque tudo perturba: o presidente da República quer seu voto e seus impostos; os parlamentares querem fazê-lo de otário; os juízes estão doidos para tirar seus direitos acumulados; a universidade é financiada (por ele, lógico) para propagar ideias absurdas sobre ideais que despreza; o vizinho está sempre de olho na sua esposa, em seu carro, em sua piscina. Mesmo os cadeados, portões de aço, sistemas de monitoramento, paredes e vidros anti-bala não angariam de todo a sua confiança. O mundo está cheio de presidiários com indulto debaixo do braço para visitar familiares e ameaçar os seus (porque os seus nunca vão presos, mesmo quando botam fogo em índios, mendigos, prostitutas e ciclistas; índios, mendigos, prostitutas e ciclistas estão aí para isso).

    Como não conhece o mundo afora, a não ser pelas viagens programadas em pacotes que garantem o translado até o hotel, e despreza as ideias que não são suas (aquelas que recebeu de pronto dos pais e o ensinaram a trabalhar, vencer e selecionar o que é útil e o que é supérfluo), tudo o que é novo soa ameaçador. O mundo muda, mas ele não: ele não sabe que é infeliz porque para ele só o que não é ele, e os seus, são lamentáveis.

    Muitas vezes o reacionário se torna pai e aprende, na marra, o conceito de família. Às vezes vai à igreja e pede paz, amor, saúde aos seus. Aos seus. Vê nos filhos a extensão das próprias virtudes, e por isso os protege: não permite que brinquem com os meninos da rua nem que tenham contato com ideias que os retirem da sua órbita. O índice de infarto entre os reacionários é maior quando o filho traz uma camisa do Che Guevara para casa ou a filha começa a ouvir axé e namorar o vocalista da banda (se ele for negro o infarto é fulminante).

    Mas a vida é repleta de frestas, e o tempo todo estamos testando as mais firmes das convicções. Mas ele não quer testá-las: quer mantê-las. Por isso as mudanças lhe causam urticárias.

    Nos anos 70, vivia com medo dos hippies que ousavam dizer que o amor não precisava de amarras. Eram vagabundos e irresponsáveis, pensava ele, em sua sobriedade.

    Depois vieram os punks, os excluídos de aglomerações urbanas desajeitadas, os militantes a pedir o alargamento das liberdades civis e sociais. Para o reacionário, nada daquilo fazia sentido, porque ninguém estudou como ele, ninguém acumulou bens e verdades como ele e, portanto, seria muito injusto que ele e o garçom (que ele adora chamar de incompetente) tivessem o mesmo peso numa urna, o mesmo direito num guichê de aeroporto, o mesmo lugar na fila do fast food.

    Para não dividir espaços cativos, frutos de séculos de exclusão que ele não reconhece, eleva o tom sobre tudo o que está errado. Sabendo de seus medos e planos de papel, revistas, rádios, televisão, padres, pastores e professores fazem a festa: basta colocar uma chamada alarmista (“Por que você trabalha tanto e o País cresce tão pouco?”) ou música de suspense nas cenas de violência (“descontrolada!”) na tevê para que ele se trema todo e se prepare para o Armagedoon. Como bicho assustado, volta para a caixinha e fica mirabolando planos para garantir mais segurança aos seus. Tudo o que vê, lê e ouve o convence de que tudo é um perigo, tudo é decadente, tudo é importante, tudo é indigno. Por isso não se deve medir esforços para defender suas conquistas morais e materiais.

    E ele só se sente seguro quando imagina que pode eliminar o outro.

    Primeiro, pelo discurso. No começo, diz que não gosta desse povinho que veio ao seu estado rico tirar espaço dos seus. Vive lembrando que trabalha mais e paga mais impostos que a massa que agora agora quer construir casas em seu bairro, frequentar os clubes e shoppings antes só repletos de suas réplicas. Para ele, qualquer barberagem no trânsito é coisa da maldita inclusão, aqueles bárbaros que hoje tiram carta de habilitação e ainda penduram diplomas universitários nas paredes. No tempo dele, sim, é que era bom: a escola pública funcionava (para ele), o policial não se corrompia (sobre ele), o político não loteava a administração (não com pessoas que não eram ele).

    Há que se entender a dor do sujeito. Ele recebeu um mundo pronto, mas que não estava acabado. E as coisas mudaram, apesar de seu esforço e sua indignação.

    Ele não sabe, mas basta ter dois neurônios para rebater com um sopro qualquer ideia que ele tenha sobre os problemas e soluções para o mundo – que está, mas ele não vê, muito além de um simples umbigo. Mas o reacionário não ouve: os ignorantes são os outros: os gays que colocam em risco a continuidade da espécie, as vagabundas que já não respeitam a ordem dos pais e maridos, os estudantes que pedem a extensão de direitos (e não sabem como é duro pegar na enxada), os maconheiros que não estão necessariamente a fim de contribuir para o progresso da nação, os sem-terra que não querem trabalhar, o governante que agora vem com esse papo de distribuir esmola e combater preconceitos inexistentes (“nada contra, mas eles que se livrem da própria herança”), os países vizinhos que mandam rebas para emporcalhar suas ruas.

    O mundo ideal, para o reacionário, é um mundo estático: no fundo, ele não se importa em pagar impostos, desde que não o incomodem.

    Como muitos não o levam a sério, os reacionários se agrupam. Lotam restaurantes, condomínios e associações de bairro com seus pares, e passam a praguejar contra tudo.

    Quando as queixas não são mais suficientes, eles juntam as suas solidões e ódio à coletividade (ironia) e passam a se interessar por política. Juntos, eles identificam e escolhem os porta-vozes de suas paúras em debates nacionais. Seus representantes, sabendo como agradar à plateia, são eleitos como guardiões da moralidade. Sobem a tribunas para condenar a devassidão, o aborto, a bebida alcoolica, a vida ao ar livre, as roupas nas escolas. Às vezes são hilários, às vezes incomodam.

    Mas, quando o reacionário se vê como uma voz inexpressiva entre os grupos que deveriam representá-lo, bota para fora sua paranóia e pragueja contra o sistema democrático (às vezes com o argumento de que o sistema é antidemocrático). E se arma. Como o caldo cultural legitima seu discurso e sua paranoia, ele passa a defender crimes para evitar outros crimes – nos Estados Unidos, alvejam imigrantes na fronteira, na Europa, arrebentam árabes e latinos, na Candelária, encomendam chacinas e, em QGs anônimos, planejam ataques contra universitários de Brasília que propagam imoralidades (leia mais AQUI).

    O reacionário, no fim, não é patrimônio nacional: é um cidadão do mundo. Seu nome é legião porque são muitos. Pode até ser fraco e viver com medo de tudo. Mas nunca foi inofensivo.

    http://www.cartacapital.com.br/sociedade/mediocres-e-perigosos/

    li alguns comentarios por aqui e logo pensei nesse texto.
    tempos dificeis..

  14. mihawklee disse:

    Eu vejo tudo isto com outros olhos…

    Não acho que seja de todo ruim politicas que nos levem a obrigatoriedade de respeitar o próximo. Falo isso com relação ao cigarro em estabelecimentos fechados e o som alto depois da madrugada. Mas algumas coisas são realmente absurdas, como a questão da proximidade em parques e praças, a inviabilidade da distribuição de cultura e afins…

    Mas o real problema é se calar diante disso e deixar levar… Em breve o ano novo sera “1984”.

  15. Alberto Guerreiro disse:

    Poderia haver bares para fumantes e para não-fumantes… o cidadão é quem deveria escolher o ambiente… Me parece que seria mais democrático…
    Quanto ao barulho, nunca entendi por que os que trabalham durante o dia precisam dormir no silêncio e os que trabalham durante a noite “podem” dormir com a reforma do apartamento ao lado…
    Também sinto pena de estarem “roubando” de nós coisas que caracterizavam algo da brasilidade que eram a música e a alegria… agora tudo tem de atender à ideologia proibitiva do Kassab e de uma classe média moralista e insossa…
    Ainda amo São Paulo, mas concordo que está chata demais…

  16. Dante disse:

    Lei do fumo tem que ter mesmo, eu não sou obrigado a ter que voltar pra casa e ter que deixar a roupa de molho ou pendurada no vento porque o cheiro não sai, aliás como acontecia há quatro anos. E na Augusta, com as mesas na calçada, os pedestres todos têm que andar muitas vezes pela rua, o que dificulta ainda mais o trânsito já insuportável que tem lá; e sobre este, é um caos mesmo: mais um motivo para usar metrô – vai mais rápido, mais barato que um carro, e ainda não polui tanto.
    Não engulo mesmo essa essa nostalgia e esse saudosismo de um tempo que vocês não viveram… Isso sim eu acho “chato”. Sintoma claro do tédio mortal dessa geração, querendo viver em outro tempo que não o seu, quando na verdade existem resoluções facílimas para essas “chatices” que você apontou.

    • Gustavo disse:

      Concordo! Perfeito comentário.
      Existem resoluções facílimas para essas chatices/ordem que você apontou.
      Porque fácil é gostar dos países europeus, e dos EUA, ondem existem regras para serem cumpridas.
      Esse seu post, nada mais é que uma campanha ao anarquismo, um tanto demode para os dias atuais.

    • Jr disse:

      Perfeito Dante.

  17. Helio Pimentel disse:

    Eu também gostaria que os botecos ficassem abertos até a hora em que os consumidores ou o vendedor cansassem, mas se as pessoas não tem educação o bar tem que fechar mesmo. Embora seja ótimo conversar e beber de madrugada a prioridade é para aqueles que querem sossego.

  18. Jose Carlos disse:

    Eu, como santista, morador da Capital há 7 anos, discordo do pensamento da autora, principalmente porque a visão dela é egocentrada e não Coletiva e ainda mais porque suas lamúrias e justificativas não são exclusividade de São Paulo.

    1- O transporte publico não é caro. Compare os preços com outros lugares do mundo que se equiparam a São Paulo + adicione as possibilidades de baldeação e período em que o usuário não paga pelo uso do transporte e você vai ver que 3 reais está OK.

    2-Favelas pegam fogo porque são um amontoado de madeira, papel, lixo e “gatos”. Ademais, no passado elas queimaram muito mais do que queimam hoje. Mas alguns maliciosos gostam de utilizar essas tragédias em defesa de espertalhões.

    3- Alvará é requerido a qualquer bar em qualquer lugar do Brasil (ou pelo menos nos grandes centros de população);

    4-A Lei anti-fumo, excelente iniciativa paulistana, hoje é de alcance Federal. Respeito seu direito de fumar cigarro, desde que sua fumaça não me intoxique.

    5-O CCBB é entidade ligada a um banco, logo as reclamações devem ser direcionadas a estes que nos extorquem diariamente.

    6-Faltou firmeza de pulso do seu namorado para retrucar ao segurança, pois ele não possui autoridade para fazer com que voce saia do colo do seu namorado (ao menos que a situaçao estivesse visivelmente explícita a ponto de não ser compativel com um parque);

    Existem milhares de pontos positivos contra poucos negativos, o que me leva a crer que São Paulo é uma cidade a cada dia mais INCRIVEL.

    • deboraqsantos disse:

      José Carlos, sobre transporte público e favelas, são pontos muito questionáveis. Não podemos provar nada sobre os inúmeros incêndios que ocorreram em áreas de especulação imobiliária, por isso acredito que é necessária uma CPI sobre o caso, pelo menos para que os casos sejam justamente averiguados. Sobre alvará e lei antifumo eu concordo com você, mas meu ponto é que leis precisam existir, mas elas não precisam ser extremistas (qual a explicação legal para poder fumar em pé, mas não sentado?). Sobre o parque, concordo que poderíamos ter discutido com o segurança (o que, confesso, só iria causar estresse e estragar o passeio), mas discordo que quem deve fazer isso é o homem da relação. Acho que mulheres podem ter o mesmo pulso firme, afinal as pessoas são todas iguais. E, por fim, concordo plenamente com você que São Paulo tem milhares de pontos positivos e é incrível, o que não me impede de ter críticas ainda assim.

      • Licia disse:

        Débora, como eu disse ontem, sentando vc pode requisitar o garçom. Em pé, ele não tem obrigação de ir até você. Há um motivo, não é delírio de legislador apenas.

  19. Renan disse:

    Debora , eu entendo todos seus sentimentos mas temos que enxergar os diversos pontos positivos que São Paulo proporciona e outras cidades. Na minha vida visitei algumas cidades pude notar algumas coisas , em paris o povo em geral é mal educado com estrangeiros principalmente funcionários de estabelecimentos comerciais , eu tenho certeza que aqui encontramos funcionários de bares,supermercados ,padarias e etc bem mais educados e dispostos a ajudar.No Brasil não podemos negar o preconceito , ele existe e é forte mas também podemos notar por outro lado uma tolerância com outras culturas, por exemplo, aqui é bem mais fácil encontrar um muçulmano e um judeu que são amigos ou parceiros de negócios do que nos EUA.
    Claro que ainda existem milhares de coisas para mudar , não sei quando algumas irão ocorrer mas espero que não seja em um futuro muito distante.

  20. Soraya disse:

    Penso que estamos vivendo cheios de regras, leis e ameças, porque estamos sendo menos humanos. Temos muita dificuldade para perceber o outro, o que permite ao “outro” nos ditar regras de convivências, que deveriam ser princípios de educação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s