Espere-me às cinco

Acabei de ver “Sempre ao seu lado”, um filme mega triste (quem ainda for ver não leia). É assim: o cara acha um filhote de cachorro, um akita, na estação do trem e acaba ficando com ele. Eles viram puta amigos e todos os dias o cachorro acompanha o cara até a estação de trem, quando ele vai trabalhar, e o espera, às cinco da tarde, na estação, quando ele chega. Um dia o cara morre… e o cachorro continua esperando por ele… por NOVE anos,TODAS AS TARDES, no MESMO lugar. PS: essa história aconteceu de verdade! Ta, nem preciso dizer que meus olhos estão até inchados de tanto chorar, né? E também nem preciso dizer que isso me faz pensar na vida, né? Fiquei lembrando de todos os cães que já tive: do Pit, da Abinha… e lembrei que foi com ela, a Abinha, minha primeira melhor amiga, minha vira-lata laranja e velhinha, que aprendi o que é lealdade. E desde que nos conhecemos nunca nos abandonamos. Em todas as doenças, alegrias, choros, mudanças… estávamos juntas, abraçadas, no colo, rolando, ou apenas olhando uma para a outra. E eu podia ver que aqueles olhinhos diziam: conte comigo. Estarei sempre aqui! Ela já morreu, e quase que morri junto, de tanto chorar, mas nem tanto por ter perdido minha amiga, mas porque eu não estive ao lado dela quando ela precisou (ela morreu no parto e eu estava viajando). Até hoje isso me corrói, mas aprendi muito. Aprendi o significado de uma amizade, de ser leal. Não, eu não te peço fidelidade, nem presença constante, nem faixas na porta de casa dizendo que me ama: eu peço olhares de compreensão, uma mão na necessidade, aquele abraço quando o mundo desaba. Já repararam que mesmo quando você bate no seu cão (não façam isso), xinga o pobrezinho e o coloca para dormir no frio, ele fica triste, amuadinho, mas quando você volta arrependido, querendo fazer as pazes, recebe uma lambida e um rabinho abanando? Lealdade. Às vezes as pessoas me acham boba por isso, mas me orgulho de ser leal. Se um dia eu te disser que nunca vou te abandonar, que você pode sempre contar comigo, acredite! Não importa o que aconteça, eu serei leal. E é só isso que eu espero das pessoas, que elas sejam como os cães. Alguns são arteiros, outros quietos, uns mordem, outros lambem, cada um tem uma personalidade, um jeito, defeitos e qualidades, mas não importa, eles são os maiores donos da maior virtude do mundo. Enfim, não me dê presentes, nem grite que me ama, mas espere-me às cinco!

Mais um texto retirado do finado Pensamentos de Ovelha, que pouco a pouco dá as caras por aqui.
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