A adulta da Nova

Quando eu era mais nova eu achava que com 23 anos eu estaria formada, seria bem-sucedida, moraria sozinha, teria um carro, um emprego foda, um namorado tão bem-sucedido quanto eu, reuniões adultas com amigos e uma cara de mulher da revista Nova. Eu me formei, ralo todo mês para continuar estudando e mantendo minhas contas, moro com minha vó enquanto faço planos de morar com minha irmã e batalharmos juntas pelo nosso cantinho com cerveja na varanda e jantares fraternos, não tenho nem carta de motorista, trabalho no emprego dos meus sonhos, descobri que a biologia é incrível, mas que o amor da minha vida é o jornalismo e as escritas em geral, sou barrada no caixa do supermercado porque minha cara de quinze anos me obriga a apresentar RG para comprar bebidas alcoólicas, tenho os amigos mais bobos e sinceros que eu poderia ter e descobri que o amor da minha vida tem apenas 21 anos e ainda faz faculdade e estágio. E nada poderia me fazer mais feliz do que as conversas no café-da-manhã com minha irmã e as nossas bobeiras pela casa. Nenhum happy hour formal me deixaria mais satisfeita do que os botecos e as viagens malucas com meus amigos sem frescura que sentam na calçada e riem de tudo. Amor engravatado e adulto algum me faria mais feliz do que dividir um almoço num barzinho de bairro e assistir meu menino tocando violão enquanto escrevo, sentados no sofá. Acho que realmente não consegui ser a adulta que sonhei ser.. eu consegui ser muito melhor.
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