Entre sacrifício e eutanásia

Meu cão vai tirar férias. É, pois é, ele vai passar um mês e meio em Florianópolis, curtindo a tranquilidade de uma casa com quintal e a alegria de não ter que ficar separado da Vovó, o amor da vida dele. Como é uma viagem de ônibus, fui pesquisar a documentação necessária e aproveitei para fuçar o site da clínica veterinária do Floquinho, que tem bastante coisa legal. Uma delas é a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, que me fez refletir um pouco:
              Alguns artigos se referem ao sacrifício de animais. Independente do motivo da morte, ela deve ser feita de maneira que não cause dor, ansiedade ou angústia. O primeiro pensamento foi: qual forma de morrer eu acharia tranquila e não angustiante? É, acho que nenhuma. Depois pensei no quanto alguns animais como os cães e os gatos são sensitivos. Será mesmo que eles não sofrem em procedimentos considerados “legais”? Será que dar uma anestesia e depois sacrificar é “a forma indolor”? O quanto será que dói no coração de um animal sentir que seu dono, seu grande amigo e amor está levando-o para a morte? Será que eles se sentem traídos? Realmente não sei. A única certeza que tenho é que é muita prepotência acharmos que somos capazes de dizer o que se passa naquela cabecinha.
             Mas a minha maior reflexão foi comparando sacrifício e eutanásia. Por que podemos decidir em que momento um animal deve morrer, mas não somos autorizados a escolher nossa hora? Não acho que seja certo optar por alguém, mas considero justo desligar os aparelhos de uma pessoa que não aguenta mais sofrer e pede diariamente para poder descansar em paz. Quem melhor do que eu para saber o significado da minha vida e da minha morte? Se a pessoa não estivesse internada e quisesse morrer, ela teria muitas opções. Mas se ela está presa a uma cama, ela precisa de ajuda.
            Realmente deve ser muito difícil para uma mãe desligar os aparelhos de um filho, por exemplo, mas penso que não podemos ser egoístas. Não podemos passar nosso conforto e medos por cima do sofrimento alheio. Voltando aos animais, eles sentem quando precisam morrer…e assim fazem. Os elefantes, tão sábios e serenos, se afastam da manada e vão para o cemitérios dos elefantes, prontos para encerrar o ciclo. Quando o periquito macho que eu tinha na infância morreu, a fêmea parou de se alimentar até morrer. Já os cães acham um canto bem escondido da casa para morrer com conforto. Nunca vi um animal espernear para não morrer. Apenas para não ser morto. Pode ser muita ingenuidade da minha parte, mas realmente não vejo motivos para darmos chilique antes de morrer, para matarmos animais e para impedirmos a “autoeutanásia”. Assim como não vejo diferença entre humanos e animais. Exceto pelo fato de que eles são bons.
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