Matar Deus é tendência

Nunca conheci alguém que gostasse de ser acordado por um grupo de religiosos tocando sua campainha e tentando converter o mundo. Quando isso acontece as pessoas sempre têm uma história mirabolante de fuga: panela no fogo, bebê pequeno na banheira, cachorro engasgado… Eu inventaria que estava alimentando minha planta carnívora, porque realmente é muita falta de bom senso bater na porta de uma pessoa para tentar convencê-la a ser como você. Assim como, em minha humilde opinião, é muita prepotência e falta de educação postar o tempo todo no Facebook que Deus não existe, que religiosos como padres e bispos são todos falsos e mercenários ou que comer carne é ser um monstro sem coração.
           Se seu amigo todo dia publicar uma fotinho de Deus, anjos e religiosidade, provavelmente acharemos ele um bobão. Mas falar que Ele (desculpem, anos de culpa cristã me obrigam a apertar o caps) não existe é parecer muito descolado. Imaginem então se alguém escreve que plantas são amigas, não comida. Ou pior: que animais existem apenas para nos satisfazer. Acho que essa pessoa seria banida para sempre do fantástico e democrático (oi?) mundo virtual. Mas postar diariamente vídeos de vantagens de ser vegetariano é ser muito do bem, então pode.
            Que fique bem claro que sou vegetariana e que minha postura religiosa não vem ao caso. Mas SOU, ou seja EU. VOCÊ pode SER o que bem entender. Aliás, acho muito melhor que seja assim. Não é tarefa fácil ser eu… imagina se todos fossem assim? O que sou contra é essa mania de sistematização. Quando os portugueses chegaram ao Brasil eles também achavam que não ser católico era um absurdo e que deveriam forçar convencer todos os índios e depois os negros a seguirem o caminho da luz. Todas as noites minha vó me manda dormir com Deus e eu tenho certeza que essa é a maior paz que existe para nós. Para ela, porque acredita que assim estarei segura; para mim, porque sinto amor transbordar em cada uma daquelas palavras de proteção. E o amor me dá forças.
             Enfim, cada um é feliz com o que tem e com o que pode. E enquanto como um sanduíche de rúcula, minha irmã um de hambúrguer e minha vó põe café para o santo que fica na janela, todos respeitam a beleza de ser quem se é. Simples assim.
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