Sem roupa pode?

Eu adoro corpos. Fico encantada com trabalhos de nu artístico e adoro observar as incríveis diferenças entre as pessoas, principalmente daquelas que são quadros ambulantes, com diferentes tatuagens. Mas mesmo no nosso mundo pseudo moderninho, boa parte das pessoas ainda fica toda constrangidinha quando vê alguém sem roupa. Ou fica horrorizada, o que é pior ainda, achando aquilo uma pouca-vergonha. 
        Semanas atrás, a informação mais lida em um grande site de notícias dizia que uma espanhola que estava no Big Brother Brasil tomava banho sem roupa, sem se importar com as câmeras. Achamos normal passar as noites acompanhando a vida de um grupo de desconhecidos, mas nos chocamos quando alguém toma banho pelado? Como uma pessoa que passa no mínimo um mês tomando banho de biquíni pode ter as partes íntimas de fato limpas? E olha que ainda rola pegação debaixo do edredom. Essa falta de higiene me parece muito mais chocante do que um corpinho exposto.Se eu quiser fazer top less para me bronzear por igual terei que procurar uma praia de nudismo (e, provavelmente, ainda ser tachada de tarada se postar isso em alguma rede social). Mas desde que me entendo por gente em todo carnaval vejo os seios da Globeleza enquanto ela fica se saracuteando no intervalo dos meus desenhos animados. Aliás, ela passar glitter nos pelinhos pubianos não a torna “vestida”, certo? Outra situação: você está na praia com uma criança de dois anos. De repente passa um peladão correndo. Provavelmente você vai ficar horrorizado e sem saber para onde olhar. Já a criança continuará ali, brincando com a areia. Isso porque a nudez é natural e pura, assim como a criança e a areia. Bebês andam pelados e meninas não ligam de ficar sem blusa… até que alguém as convençam de que mulheres precisam cobrir os seios (mesmo aqueles que você ainda nem tem).             
        E assim vai indo o país da bunda de fora. Sempre com seu medo de pecar, sempre oscilando entre a pseudo libertinagem brasileira e a hipocrisia corporal. Sempre com seu conservadorismo que aparenta ser liberal. E enquanto isso nos privamos da delícia que é entrar na água (rio, piscina, mar) sem roupa, tomamos banhos em vestiários públicos vestidos, viramos o rosto quando vemos alguém se trocando e continuamos transando de luz apagada. Porque aqui pode tudo, mas ficar pelado é coisa de índio – e nós somos muito modernos.



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